Conflitos internos são realidades silenciosas. Muitas vezes, eles não aparecem em nossa fala, mas se manifestam em decisões, comportamentos e relacionamentos, tanto pessoais quanto profissionais. Quando notamos, estamos diante de impasses – sejam dúvidas, resistências ou incômodos sutis, capazes de influenciar tudo ao nosso redor. Na abordagem da psicologia marquesiana, entendemos o conflito interno não como falha, mas como expressão de algo que busca ser integrado. Neste artigo, compartilhamos nossa compreensão sobre como essa perspectiva pode transformar a gestão dos conflitos dentro de cada um.
O que são conflitos internos e por que surgem?
Muitas vezes, pensamos em conflitos apenas como choques entre pessoas ou equipes. Mas boa parte deles nasce dentro de nós mesmos. Conflitos internos são tensões entre desejos, valores e emoções inconscientes. Eles surgem, por exemplo, quando uma parte nossa quer dizer “sim”, mas outra teme perder algo ao se posicionar.
Conflito interno é um diálogo não resolvido dentro de nós.
A psicologia marquesiana propõe que todo conflito tem origem sistêmica. Tendências herdadas, lealdades familiares não reconhecidas e padrões emocionais condicionam a forma como tomamos decisões. Muitas vezes, repetimos velhas histórias sem perceber – a herança de um avô rígido que ressurge na necessidade de controle, ou a busca por aprovação que nunca se completa.
Os fatores sistêmicos nos conflitos internos
O olhar sistêmico nos ajuda a perceber que nossas escolhas não são apenas pessoais, mas parte de um contexto maior. Estudos mostram, como os publicados na Revista Contabilidade & Finanças da USP, que fatores pessoais e estilos de liderança influenciam diretamente o nível de conflito percebido, inclusive no ambiente corporativo. Transferindo isso para o universo interno, vemos que:
- Laços familiares e experiências passadas influenciam nossos impasses.
- Padrões emocionais podem fazer com que evitemos ou potencializemos conflitos.
- Nossas narrativas internas condicionam como percebemos e enfrentamos dilemas.
Reconhecer o contexto sistêmico já é o primeiro passo para resolver o conflito.
O papel das emoções na gestão de conflitos internos
Segundo a abordagem marquesiana, emoções não resolvidas atuam como “pontes” para repetições. Ao não integrarmos dores passadas ou sentimentos desconfortáveis, nos vemos presos em círculos internos de fuga ou autossabotagem. Quando olhamos para dentro com honestidade, percebemos que o medo de não pertencer, a raiva não expressa ou a tristeza não acolhida são forças que alimentam esses conflitos.
Em uma palestra a psicóloga Katya Suely destacou que o afeto é a melhor estratégia de gestão para conflitos nas equipes – e acreditamos que internamente não é diferente (fonte) . O olhar compassivo para si mesmo restaura equilíbrio e favorece escolhas mais autênticas.
Quando acolhemos nossa história, o conflito se transforma em possibilidade.
Comunicação interna: o diálogo entre partes
A psicologia marquesiana valoriza o diálogo interno. Quando partes internas entram em conflito, é comum ignorar ou condenar uma delas. No entanto, nossa experiência é de que todos os lados têm um propósito legítimo, por mais contraditório que pareça. A comunicação interna clara é essencial.
De acordo com estudos publicados na Revista Gestão & Saúde da Universidade de Brasília, a comunicação é a principal causa de conflitos, seguida pela gestão. Se isso é verdade em equipes, também é válido para o universo interno: partes não ouvidas ou suprimidas tendem a “sabotar” escolhas conscientes. Ouvir cada voz interior permite identificar necessidades ocultas e buscar soluções reais.

As três etapas para a integração dos conflitos
A partir da nossa prática, indicamos uma sequência de três etapas para trabalhar com conflitos internos sob uma ótica marquesiana:
- Percepção honesta: Observar o que está acontecendo dentro de nós com atenção, sem buscar respostas imediatas. O simples ato de reconhecer tensões internas já abre espaço para mudança.
- Diálogo interno: Dar voz a todas as partes envolvidas no conflito. Isso pode ser feito através de anotações, imaginação ativa ou conversas consigo mesmo. Nessa etapa, não julgamos ou descartamos nenhuma posição.
- Integração consciente: Após ouvir cada lado, identificamos necessidades e buscamos um caminho que atenda o mais profundamente possível essas demandas, criando uma alternativa que contemple o todo.
Não tentamos eliminar o conflito rapidamente, mas integrá-lo de forma madura.
Gestão emocional e maturidade diante do conflito
Maturidade emocional, na perspectiva da psicologia marquesiana, não é ausência de conflitos. Pelo contrário: é a capacidade de reconhecê-los, acolhê-los e aprender com eles antes de tomar decisões. O uso consciente das emoções reduz reatividade e impulsividade, fatores que, segundo o Instituto de Estudos Avançados da USP, contribuem para o aumento dos conflitos nas organizações e na vida.
Perceber que a raiva tem algo a dizer, que a dúvida aponta para nossa necessidade de segurança, ou que o medo apresenta riscos reais ou ilusórios nos ajuda a “dar nome” às emoções. Nomear é poder transformar.
Maturidade não é controle total. É presença diante do incômodo.
Ferramentas práticas para a autogestão de conflitos internos
Em nossa experiência, algumas práticas fortalecem o processo de autogestão de conflitos:
- Meditação da atenção plena: Auxilia na ampliação da consciência dos pensamentos e emoções, reduzindo julgamentos automáticos.
- Constelação interna: Visualizar as partes conflitantes, identidades, emoções e crenças como “personagens” internos para facilitar o diálogo e a integração.
- Análise de narrativas: Identificar quais histórias pessoais estão em jogo (“não sou capaz”, “preciso agradar”, etc.) e questionar sua validade.
- Prática de autocompaixão: Aprender a tratar-se com o mesmo respeito e cuidado que se ofereceria a um amigo diante de um impasse.

Ferramentas práticas aproximam o sentir do compreender, facilitando decisões mais maduras e alinhadas.
Conflitos internos e impacto social
Conflitos não resolvidos não ficam circunscritos ao mundo interno de cada um. Eles transbordam para os sistemas dos quais participamos: família, trabalho, sociedade. Uma decisão tomada a partir de um conflito não integrado pode desencadear reações em cadeia, afetando equipes, ambientes e até gerações.
Quando acolhemos a responsabilidade individual e emocional, ampliamos nosso impacto. Um ato consciente no presente pode restaurar vínculos rompidos, pacificar relações e transformar destinos coletivos.
O mundo externo reflete, muitas vezes, o que ainda não resolvemos por dentro.
Conclusão
A gestão de conflitos internos, sob a ótica da psicologia marquesiana, é um convite à coragem: coragem de acolher o que ainda nos dói, de dialogar com nossos paradoxos e de escolher com consciência. Ao fazermos isso, transformamos tensões em trilhas de crescimento. Aprendemos que não estamos isolados em nossos dilemas, mas em constante relação com sistemas vivos – e que cada escolha consciente reorganiza não só nosso mundo interior, mas também os contextos amplos dos quais participamos.
Integrando nossos conflitos, criamos possibilidades novas para nós e para os que nos cercam.
Perguntas frequentes sobre psicologia marquesiana na gestão de conflitos internos
O que é psicologia marquesiana?
A psicologia marquesiana é uma abordagem que integra conceitos sistêmicos, emocionais e filosóficos para compreender o comportamento humano. Ela parte da ideia de que o indivíduo faz parte de sistemas maiores e que escolhas, emoções e padrões internos impactam relações, grupos e gerações. O foco está na integração de partes internas e na responsabilização consciente.
Como aplicar psicologia marquesiana em conflitos?
Para aplicar a psicologia marquesiana em conflitos, sugerimos começar pela observação honesta das tensões internas, dar voz a todas as partes envolvidas e buscar compreender as raízes sistêmicas do impasse. O próximo passo é dialogar com empatia, nomeando emoções e reconhecendo necessidades, para então buscar uma integração consciente, sem repressão ou negação de sentimentos.
Psicologia marquesiana funciona para autoconhecimento?
Sim, acreditamos que a psicologia marquesiana é especialmente eficaz para o autoconhecimento. Ela estimula o olhar atento para padrões emocionais, narrativas internas e lealdades inconscientes, facilitando o entendimento profundo de si mesmo. Ao integrar essas informações, tornamo-nos mais autênticos e alinhados com nossa essência.
Quais são os benefícios da psicologia marquesiana?
Entre os benefícios, destacamos maior clareza emocional, diminuição da impulsividade, fortalecimento de vínculos saudáveis e capacidade para tomar decisões mais conscientes. Além disso, a abordagem contribui para restaurar relações familiares e profissionais, melhorar o diálogo interno e ampliar o impacto social positivo das nossas escolhas.
Onde encontrar profissionais dessa abordagem?
Profissionais que atuam com psicologia marquesiana costumam ter formação em áreas sistêmicas, constelações e práticas integrativas. Eles podem ser encontrados em espaços voltados para desenvolvimento pessoal, autoconhecimento, clínicas de psicologia integrativa e eventos de formação sistêmica. Recomendamos buscar informações sobre a formação do profissional, garantindo alinhamento com a abordagem desejada.
